Colágeno: assim é mole ter articulações saudáveis
Atualmente, nossa situação nutricional é quase que totalmente isenta de material rico para o tecido conjuntivo. Sendo assim, dentre as doenças mais comuns para nossa população, estão as que atingem principalmente o aparelho locomotor, as chamadas osteopatias, onde a artrose, por exemplo, está ligada ao desgaste das articulações, sem falar, nas lesões degenerativas e inflamatórias que em geral tornam-se crônicas e, assim exigem tratamentos prolongados e onerosos, que além de prejudiciais à saúde, muitas vezes podem ser ineficazes.
O tecido cartilaginoso da articulação é formado por células chamadas condrócitos e por uma matriz extracelular que funciona como suporte macromolecular. Este suporte tem dois componentes principais: o colágeno (70 %) e o proteoglicano (25 %). Os condrócitos são responsáveis pela formação, organização e manutenção da matriz. Algumas circunstâncias podem afetar o equilíbrio entre formação e regeneração desta matriz, o que leva a uma diminuição da quantidade de macromoléculas, afetando o tecido cartilaginoso e provocando problemas nas articulações.
Os tratamentos atuais envolvem medicamentos contra a dor, como os analgésicos, ou antiinflamatórios, assim como a manutenção das funções das articulações através de exercícios físicos. Junto a estas formas tradicionais de tratamento, também foram investigadas algumas substâncias de complementação alimentar como a glucosamina e a condroitina, no entanto, apesar do uso amplamente difundido destes medicamentos, ainda existem reservas quanto à sua eficácia, quanto ao uso por pacientes diabéticos e a falta de padrões nas suas fórmulas.
Com certeza, o objetivo do tratamento da artrose não deve se resumir apenas em amenizar os sintomas, mas, sobretudo, retardar ou até mesmo paralisar o desenvolvimento da doença. E é por isso que os suplementos a base de colágeno, a nova substância terapêutica contra estas doenças, representa uma novidade muito promissora neste campo, pois os peptídeos de colágeno estimulam principalmente o metabolismo cartilaginoso, melhorando a síntese das células nessa região e desta forma combatendo a perda progressiva da cartilagem.
Inúmeros estudos comprovaram os efeitos positivos do colágeno no tratamento de doenças degenerativas das articulações. Pacientes com artrose nas articulações do quadril ou dos joelhos, que receberam durante um período de três meses, uma dose diária de 10 g de colágeno, mostraram uma redução significativa da dor e do consumo de analgésicos, além de um aumento de mobilidade. Ademais, estudos mostraram que o corpo não consegue digerir o colágeno integralmente durante o processo digestivo, promovendo, assim, o acúmulo deste colágeno no tecido cartilaginoso, onde os condrócitos são estimulados a aumentar a síntese de massa da cartilagem.
Pesquisas mostram que por volta dos 25 anos nosso organismo começa a diminuir a produção de colágeno em contraposição à necessidade constante dessa importante molécula no processo de rejuvenescimento e reparação celular. Ao 50 anos, por exemplo, nosso corpo só produz em média 35% do colágeno que necessitamos e assim supõe-se que esta seja uma das principais causas de nosso envelhecimento.
Analisando nossos hábitos alimentares, repormos o colágeno através da alimentação é praticamente impossível, e com isso, por meio da ingestão regular de suplementos alimentares à base de colágeno nosso organismo obtém de maneira significativa os benefícios deste, havendo uma melhora significativa nos processos inflamatórios e degenerativos, especialmente ao nível das articulações e, assim, é possível entender a importância de iniciar em tempo uma terapia eficaz que permita que as pessoas suportem de maneira mais tranqüila tais doenças e até mesmo convivam com ela.
Benoni Luis Squizani
Farmacêutico Industrial
Mestre em Tecnologia Farmacêutica – USP
Mestrando em Nutrição Dietética – FUNIBER
